sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

PRIMEIRO DEBATE VIRTUAL DO GRUPO - TEMA: PROJETO DE DECRETO LEGISLATIVO 346 DE 2007


Projeto de Decreto Legislativo (PDC), que submeteu a aprovação o texto de um Ajuste Complementar ao Acordo de Cooperação Cultural e Educacional entre os governos do Brasil e Cuba. Portanto, tratou-se de um ajuste a um acordo  bilateral de 1988, aprovado pelo Congresso em 1989 e promulgado em 1990. Apresentado a Comissão de Educação e Cultura, em 21/09/2007).

Iniciou-se o debate com a presença do Deputado Federal Lelo Coimbra e os participantes dos grupos “Consciência Política Razão Social” e Union de Los Pueblos de Nuestra América, e todos cidadãos que desejassem, pois, tratou-se de um debate on line e aberto a toda sociedade. 



Fernanda Tardin - O Deputado Federal e relator da PL 346/2007 deverá responder  e debater com todos e, portanto, para que isto seja possível, acordamos uma pergunta e uma resposta sucessivamente. Não houve limite de horário, mas ficamos acordados 1:30 h , de acordo? Hasta lá vista , as 22 h ( horário Brasília).

Lelo Coimbra - Caros amigos, daqui a pouco, conforme combinamos, iniciamos um bate papo/ debate sobre ALUNOS BRASILEIROS que foram para o curso da ELAM - Escola Latino americana de Medicina. Combinamos fazê-lo as 22 hs de hoje. Agradeço a disciplina do Dagmar, que postou o debate hoje, as 19:02 hs e a militância e persistência da Nanda, dois bons (compas).Informo que esse debate NAO e contra Cuba e sua história, NEM CONTRA o sistema de saúde de Cuba em seus aspectos positivos. Estamos tratando de legislações, populações em numero e história e de morbi-mortalidade distintas. Alem do que, esse e um assunto já encaminhado e as soluções alternativas já operadas, com seus resultados.
Sou médico sanitarista, formado pela UFES e especializado pela Fac. Higiene/ SP, servidor publico federal, do MTE, como agente fiscal, licenciado para o exercício de mandato eletivo.
Como método sugiro: apresentação do assunto, informação do relatório e avaliações de mérito.
1 - Apresentação do assunto
Tratou-se de um Projeto de Decreto Legislativo ( PDC ), que submeteu a aprovação o texto de um Ajuste Complementar ao Acordo de Cooperação Cultural e Educacional entre os governos do Brasil e Cuba. Portanto, tratou-se de um ajuste a um acordo bilateral de 1988, aprovado pelo Congresso em 1989 e promulgado em 1990. Apresentado a Comissão de Educação e Cultura, em 21/09/2007.
2 - Informações sobre o relatório
Durante vários meses debatemos o tema, sua origem, suas conseqüências, seu mérito e os desdobramentos, a luz da Lei de Diretrizes Básicas - LDB do Brasil. Ao termino dos debates, negociamos a manutenção do relatório, que assinei, na votação em Plenário, enquanto buscávamos uma solução negociada para o tema, em articulação entre MEC/CEC/MSaude.
O resultado foi um decreto do executivo, com normas que buscavam soluções para os alunos brasileiros da ELAM, com isonomia para os outros brasileiros que estão com as mesmas dificuldades, após terem cursado em outros países.
3 - No mérito
Estiveram em discussão a forma de acesso e mecanismos de escolha, duração do curso, inspeção feita pela AMB e CFM ao curso ELAM, diferenciação para o exercício da medicina em Cuba para os brasileiros e os Cubanos, esses cursando mais três anos e, finalmente, a tentativa de tratamento diferenciado entre os quase 13 mil brasileiros oriundo de outras experiências e os quase 700 da experiência ELAM
Essas são as abordagens iniciais. Desculpem o atraso de 15 minutos.
Dep Lelo Coimbra.

Fernanda Tardin - Boa noite deputado. Bem vindo e desde já obrigada por sua disponibilidade e interesse em gerar o debate. Concorda em aguardarmos as 22 hs?
- Bem, postarei uma das minhas perguntas. Lelo você é médico e como tal por várias vezes neste período Pré-debate, afirmou reconhecer a medicina cubana e seu avanço. Como deputado, como é ser relator de uma pl que limita a aplicação desta medicina por médicos brasileiros formados em Cuba (e ainda da PL que diferencia segregando apenas os brasileiros formados em Cuba).

Lelo Coimbra - Na realidade Nanda, não se trata de limitar a aplicação da medicina cubana no Brasil. Vivenciamos a experiência dos dentistas brasileiros em Portugal, onde o curso do Brasil não "batia" com o dos portugueses. Para exercerem a odonto lá, tinha que fazer equivalência curricular e prova e acesso. Nosso problema e o mesmo, para brasileiros que foram a Cuba ou outro Pais. Na realidade não há segregação apenas dos brasileiros que estavam em Cuba, mas sim um tratamento diferenciado apenas para os que lá estiveram.

Fernanda Tardin - Mas a PL limita aos que cursaram medicina noutro pais? E em se tratando de Portugal (país citado aqui por você) um companheiro do PROJECTO TECTRAS (atuante ONG de Portugal) atesta:
A mim parece-me que este é um problema que se repete em vários pontos do Globo. Pelo que sei em Portugal, o mesmo deve se passar nos outros países, é que existem acordos de reconhecimento dos cursos entre os países, sejam eles de medicina ou de outra área. Quero acreditar que este reconhecimento resulta de um processo rigoroso de avaliação mútua e não de convenções políticas ou outro tipo de interesses. O problema mais grave é de facto o da medicina devido à escassez de recursos nos sistemas de saúde. Quando certos países formam médicos mais rápido que outros, não querendo dizer com isso menos capazes, é comum as associações profissionais, em Portugal é a Ordem dos Médicos, fazerem lobby contra esses profissionais. Se tivermos políticos independentes, pois terá de partir deles uma solução, seria fácil resolver o problema: para países sem acordos o profissional teria de fazer um exame para provar competências na sua área; se os pedidos fossem poucos, os casos que fossem aparecendo resolviam-se assim; a partir de um determinado volume de profissionais e com uma taxa de aprovação a definir, as autoridades passariam aos contactos para efetivar o reconhecimento da entidade formadora. “Isto seria válido para cidadãos nacionais e estrangeiros”

Lelo Coimbra - Aos brasileiros que estão ou estiveram em outros países, em experiências de graduação, aplica-se a LDB - equivalência curricular e prova de acesso - aos brasileiros em Cuba, aplicar-se-ia o acesso direto, sem equivalência curricular e prova de acesso. Portanto tratamento diferenciado e sem conformidade com a LDB, só para os que estiveram em Cuba. Ora, quando você vai a um Pais, a passeio ou a trabalho não ha uma documentação básica para acesso? Para reconhecimento de um curso e emissão de diploma, há uma legislação, chamada LDB. Não se trata de ter ou não políticos “independentes", categoria que quero entender na linguagem de quem a usou, mas sim de relações legais entre países e suas normas.

Dagmar Vulpi - Boa noite Dep. Lelo, dos argumentos usados para o não reconhecimento dos diplomas dos brasileiros, percebe-se que alguns tiveram mais ênfase, entre eles, a forma de acesso ao curso, o mecanismo de escolha e a duração do curso, que peso pode ter tido estes itens, sabendo-se que muitos dos brasileiros selecionados foram indicados por sindicatos e partidos políticos. Se a forma de indicação fosse outra, você acha que eles teriam mais chances, ou isso seria irrelevante?

Lelo Coimbra - Dagmar, a motivação central do debate e decisões, sempre esteve centrada na duração do curso cinco anos, impedimento de exercício da medicina em Cuba - exceto se cursasse mais três anos, alternativa NAO oferecida nesse intercâmbio, perfil dos cursos conforme avaliação de comissão mista do MEC/AMB/CFM, ocorridas dois anos antes. Como informação adicional, embora não determinante, o acesso - escolhas pelo PT, PC do B, MST, Pastorais, PMDB e, ate mesmo PSDB, caso ocorrido com a dep. Raquel de Goiás.

Dagmar Vulpi - Menos mal! Eu particularmente não tinha conhecimento de indicações do PMDB e PSDB.

Lelo Coimbra - Foram menores em número, Dagmar, mas existiram. Os pais buscam nos políticos formas de acesso as mais diversas. Para passagem de ida e volta a responsabilidade e das famílias, que nem sempre tem essas possibilidades e o mesmo pedido acaba sendo estendido.

Dagmar Vulpi - Certo, os políticos que foram procurados neste caso e, indicaram filhos de amigos e/ou eleitores acabaram não ajudando muito, mas, arranjaram um problema. Não teria  estes o conhecimento da possibilidade de não haver o reconhecimento, ou na época das indicações esta possibilidade não era cogitada?

Lelo Coimbra - Dagmar, esse experiência começou em 1999, no governo FHC, não me pergunte porque pois não sei, e alguns pais tinham essa informação, outros não. Os primeiros achavam que a política resolveria, os outros entraram em pânico e passaram a se comportar como os primeiros, o que e compreensível. A tentativa de resolver, após uma visita de Lula a Cuba, foi criar uma exceção, fato que os discriminou frente aos outros brasileiros que querem solução semelhante, ou seja, não ter equivalência de currículo e prova de aptidão. Mesmo assim, foi gerada uma alternativa com concordância das instituições que participaram dos debates, dentro dos parâmetros da LDB, e os resultados foram 628 inscritos para exames de proficiência e habilitação e somente DOIS foram habilitados ao exercício da clinica no Brasil. Que fazer? Desconsiderar que temos uma legislação, fruto do que acumulamos ate agora? abrir geral e desconsidera a LDB, caso fosse possível?

Fernanda Tardin - Lelo, saindo então um pouco da legislação - que para mim sempre tem dois pesos e duas medidas,  esta PL não será para resolver as questões dos controladores da saúde? Os interesses corporativistas que historicamente inibi e combate os avanços da medicina humanizada, como exemplifiquei na gestão municipal e estadual de um governo no nosso estado? Lelo, informações vindas de quem conhece e ainda pesquisou dão conta de: “Tenho informações sobre os cursos de lá”. A carga horária é intensa. Os alunos não podem colar. Se forem flagrados os cubanos são severamente punidos e os estrangeiros são deportados. Em contra partida os professores estão sempre disponíveis. A qualquer dia. A qualquer hora para sanar as dúvidas. Os livros são reaproveitados e são gratuitos e o aluno fica responsável pela devolução. São mais de 5.000 jovens bolsistas do terceiro mundo (metade homens e metade mulheres). Priorizando países subdesenvolvidos e o Brasil é contemplado, juntamente com a Argentina, o Uruguai, o Chile, dentre outros, por que nestes países também existe exclusão. Um condicionante indispensável é que os alunos tenham estudado durante toda a vida escolar em escolas públicas no seu país de origem. Desta forma atinge efetivamente os excluídos que nunca conseguiriam se formar em medicina. A bolsa é completa. Os alunos além da formação acadêmica recebem casa, comida, material acadêmico, esporte, cultura, lazer, tratamento médico e odontológico, etc. Tudo a custo zero para o aluno. A parca economia cubana banca tudo.
A formação acadêmica de Cuba é ampla e voltada para a realidade do povo. Formando médicos conscientes e não simplesmente médicos voltados para a “especulação do capitalismo que vê a medicina como um negócio altamente lucrativo." E insisto, com um exemplo de gestão acontecida no governo municipal de Vitor Buaiz e a seguir com a 'desgraça' que sofreu ao tentar transpor a nível estadual o modelo implantado na capital do estado e referendado mundialmente como exemplo de gestão em saúde, segundo o próprio gestor implementado, aos moldes de Cuba, capital inclusive que nós vivemos , não seria este dado agregado aos avanços reconhecidos mundialmente , de Cuba na área de saúde, a questão diferencial que somada ao relato do curso em Cuba (Carga Horária) um contra argumento aceitável para a argumentação da PL?

Lelo Coimbra - Fernanda, Cuba tem importante experiência na atenção primaria, se destacando em outras áreas como e a história do Vitiligo e mesmo kits para exames de HIV. Você mesma disse, e é verdade, a busca de contribuição com o tema da cólera. Não há, restrições algumas a ver boas experiências e seu aproveitamento, especialmente se puderem ser massificadas e de menor custo. A experiência do SUS no Brasil e muito interessante, a quebra de patentes de medicamentos, a universalização do acesso a muitos procedimentos estão presentes. vivemos num Pais com 190 milhões de habitantes, com as primeiras causas de morbi-mortalidade centradas no trauma, degenerativas e outras de perfil semelhante, com expectativa de vida ao nascer crescente e tx de natalidade muito declinantes. Nosso perfil e muito distinto, mesmo nos apropriando de experiências exigidas e positivas de Cuba, que não necessariamente esta associada a esse perfil de profissional que não pode sequer ser médico em Cuba.
Essa forma de apresentar o problema limita a formação medica ao seu caráter humanista, que e fundamental, mas não lhes garante conhecimentos suficientes para salvar a vida das pessoas.

Fernanda Tardin - E mais recentemente na vacina contra o câncer de pulmão e o tratamento de diabetes. Saúde Mental e melhor: Saúde preventiva que evitaria um percentual considerável de gastos públicos com o tratamento de doenças a serem evitadas. Um aluno que estuda e vivencia a medicina em uma universidade desta não necessariamente indica que será um médico exemplar, nem um que estuda em qualquer outra universidade por melhor ou pior que seja. A votação contraria desta PL não implicaria uma contribuição para que a medicina preventiva e humanizada fosse mais explorada no Brasil?
Sobre os kits de exame de HIV: para constar acrescento os de tuberculose, Hepatite C, malaria e outro que agora não recordo. Os testes tem precisão de 95 a 100% e resultado no máximo 20 minutos após a coleta (uma gota de sangue) sei disto pois na época que nosso estado teve surto de tuberculose, principalmente dentro dos presídios e se alastrando sociedade afora, tentamos uma parceria com o estado para adquirir o mesmo e não obtivemos sucesso. Mais um motivo para achar ser uma questão mais política que humana. E saúde, você sabe e concorda (que sei) tal como a segurança não pode mais ser encarada de forma a se obter vantagens políticas. Certa?

Lelo Coimbra – (Compas) tenho um grande carinho pelo Vitor, que embora não tenha sido feliz no governo estadual, foi uma experiência em reconhecida na capital. Entretanto, não houve o que você fala. Fiz parte do assessoramento daquela experiência via de desenvolvimento de Vitória e não houve essa transmudação. Havia um bom discurso nessa direção, pratica apenas o trabalho com fototerápicos.

Fernanda Tardin - Lelo, organizações internacionais de DH e saúde indicam o que apenas coloquei aqui como dado. O pioneirismo que serviu de modelo positivo, da saúde na gestão municipal. O fato aqui, serve de comparativo pois a medicina preventiva e humanizada foram adotadas lá, nesta implementação.

Lelo Coimbra - Nanda, por que esses alunos brasileiros não podem exercer a medicina em Cuba, oriundos desses cursos que lhes são oferecidos, a título de intercambio. Para quem eles são formados? E para que realidade epidemiologia?

Fernanda Tardin - Lelo, e pq. uma PL considera (ou interpreta , acho eu) uma lDB e desconsidera os dados contrários apresentados numa contra argumentação? porque o padrão da LP é considerar que médicos existem para tratar doenças e não para preservar a saúde?

Fernanda Tardin - quero registrar aqui a presença do atual presidente da câmara federal Deputado Marco Maia e solicitar que considere este debate assim como oportunize a ciência deste na câmara federal.

Dagmar Vulpi - Seja bem vindo dep. Marco Maia é um prazer contar com a sua nobre presença em nosso debate.

Lelo Coimbra - Maia é atual e futuro, em quem estarei votando no dia primeiro. Torço pelo seu sucesso!

Laerte Henrique Fortes Braga - Boa noite. Não teria sido a dificuldade no governo do Estado em implantar semelhante projeto ao implantado no Município a oposição dos grandes grupos da área de saúde? Olhando a discussão até agora vejo-a com aspecto técnico prevalecendo sobre a questão política e penso que essa é a primeira. A vontade política de implantar políticas públicas de saúde que atendam à população como um todo. A concepção básica do SUS. a UNIMED hoje lava dinheiro na contratação de jogadores de futebol.É subsidiada por verbas públicas. As faculdades privadas em sua imensa maioria despejam "médicos" sem outro critério que não o da mensalidade paga.

Lelo Coimbra - Minha demora esta em que, vocês são mais de um e quero responder a todos, (rsrs). A democracia representativa, hoje mais conjugada com a democracia participativa, mas com predominância da primeira, e o que nos rege Laerte. O congresso do mundo e um extrato da sociedade de cada Pais. O debate congressual do Brasil hj esta no financiamento, em aumentar suas fontes. O máximo que se chegou foi a CPMF, já extinta. As definições legislativas e ministeriais sobre o modelo de saúde no Brasil avançaram muito desde os anos 80, culminando com o SUS. Os EUA agora que estão tentando dar alguma assistência aos 30 milhões de seus miseráveis, sem quaisquer acessos a atenção a saúde. No Brasil, dos 190 milhões de brasileiros, 40 milhões são "cobertos" pela chamada atenção complementar- planos de saúde os mais diversos, inclusive UNIMEDs. Aí nao tem dinheiro publico, mesmo na compra de jogadores, que são transações privadas entre que acha que esses caras alem isso. Por fim, não estamos falado de técnica, mas sim política de estado nas aterás de formação e atenção a saúde. Qdo Obama tentou fazer a universalização agora, mandou gente de lá estudar o SUS, experiência que já exportamos. Portanto temos muitos avanços. E preciso ir alem da emoção e do desejo, buscar informações para tentar analisar esse conjunto de fatos.

Fernanda Tardin - Lelo, não se preocupe, reconhecemos seu esforço e estamos cientes das limitações impostas no debate pela Net, seguiremos da forma possível.

Laerte Henrique Fortes Braga - Não há uma questão política nisso. A maior parte dos médicos brasileiros é vítima dessas quadrilhas que controlam o setor, inclusive a indústria farmacêutica trabalha num regime de quase escravidão, levando-se em conta os plantões. Hoje não se dá o diagnóstico de uma gripe, uma virose comum, sem dois ou três exames, ou seja, lucro. Na rede privada, na rede pública as máquinas estão sempre quebradas. Jogue essa realidade para Cuba, com as diferenças de avanços tecnológicos e mande os caras explicarem porque os cubanos conseguem os resultados acima da média - OMS, índices de mortalidade infantil, que é um conjunto de políticas públicas? Não vão explicar, vão dizer que é comunicação do Brasil. Conheço médico que é orientado a não internar pacientes exceto no caso do paciente, se não tiver plano, ou se tiver e o plano não cobrir, se o paciente, repito, não puder pagar o depósito, aliás, proibido por lei, mas lei que não pegou, foi para constar. Não emoção deputado, tenha a certeza. O SUS concebido quando Waldir Pires era ministro da Previdência e nunca foi implantado no modelo que os norte-americanos estão estudando. Sempre esbarrou nos interesses de grupos privados. O próprio Obama está esbarrando nesses interesses. Avanços? Claro, muitos e em muitas prefeituras principalmente, que usam as verbas de forma adequada, ou voltada para a realidade de saúde pública a partir da concepção do SUS. Outras, como o tucano daqui, coloca no bolso. No governo Lula choveu verba, como no caso da tragédia do Rio de Janeiro, choveu verba, mas e daí? A Fundação Roberto Marinho pegou 24 milhões da verba destinada a obras de contenção de encostas. Na saúde a história se repete. Aqui em Minas terceirizaram tanto que as verbas sumiram e ninguém sabe onde foram parar - exceto as da propaganda.
Disseram-me que o senhor deve ir a Cuba, é uma iniciativa louvável, correta e tenho certeza que o encontrará uma realidade diversa da pintada pela mídia privada aqui - podre e corrupta -. O senhor já prestou atenção que quase todo FANTÁSTICO mostra uma inovação na área da Medicina, via de regra máquinas para exames? Já pensou quanto a indústria do setor paga por essa propaganda transformada em matéria jornalística? Ou por exemplo, nos males que os sucessivos exames podem vir a trazer para as pessoas levando-se em conta que os médicos não sabem mais diagnosticar sem exames básicos, o que não quer dizer que exames mais específicos e sofisticados não sejam necessários, mas a partir dos básicos. Não será uma deficiência da formação aqui?
Vou encerrar meu ponto de vista perguntando: o senhor não acha que o problema é muito maior que esse nó que os médicos formados em Cuba vem dando por aqui? E, o fato do senhor está debatendo aqui merece registro. É raro isso num deputado hoje, raríssimo. Merece, independente de posições distintas, felicitações.
Claro que há muito maior que o interesse em resolver o problema. Como se pode bater de frente com quem financiam campanhas, por exemplo? Não é uma acusação direta, mas hoje temos bancada evangélica, bancada rural, bancada da saúde, bancada disso, bancada daquilo, o Congresso é um segmento até a data da eleição e um estamento segmentado depois da eleição.
O debate público, esse que acontece aqui é importante, mas o conjunto de fatos é muito mais amplo que a discussão técnica.
Vamos a um exemplo prático. A série HOUSE, de grande sucesso na tevê americana e repetida no Brasil em alguns canais, mostra médicos formados em grandes universidades norte-americanas, com todo o aparato tecnológico daquele país, sem condições de um diagnóstico preciso num hospital cheio de especialistas. É uma crítica ao modelo norte-americano, o próprio personagem chave recusa médicos jovens por "inexperiência". Critica e debocha de médicos veteranos por incompetência e via de regra, erra ele próprio.
O governo cubano exige mais três anos de médicos que vão exercer a medicina em Cuba como complementação de um ensino específico voltado para a realidade cubana, ao contrário dos cinco anos, que trata da formação médica geral, tal e qual em qualquer país do mundo.
Outro exemplo, noutra área, mas ainda na saúde, o caso dos dentistas brasileiros em Portugal.
Na prática o que há é lobby dos grandes grupos controladores de saúde no Pais. Eu por exemplo deputado, acuso com todas as letras, o senador, ex-governador Aécio Neves, e o recém eleito deputado federal Marcus Pestana, seu secretário de saúde por oito anos, de corrupção no setor. Já fiz isso publicamente e nada. Do mesmo tamanho. E o medo de, na eventualidade de um processo, com a figura da exceção da verdade, o direito de provar, a prova ser apresentada. Ao invés de saúde pública, critérios para tanto, "negócios", através de empresas, distribuição de verbas a prefeitos, por trás dessa aparente discussão sobre o currículo do curso de medicina em Cuba existe o fato político, levando-se em conta que o maior de número de alunos que lá está não tem condições de pagar faculdade privada no Brasil, são menores hoje, mas ainda subsistem dificuldades para as públicas, explico em tópico a seguir e, principalmente, por terem sido indicados pelo MST - MOVIMENTO DOS TRABALHADORES RURAIS SEM TERRA.
Quando falo em subsistirem dificuldades para as faculdades públicas dou um exemplo. A Universidade Federal de Juiz de Fora, há anos, reduziu pela metade o número de vagas oferecidas. Em seguida, boa parte dos médicos que compunham o conselho da referida faculdade, montou uma faculdade, privada, lógico. Mensalidade? Ano passado não era inferior a quatro mil reais.
Antes da questão técnica há uma questão política. Enfrentar os grupos/máfias que controlam a saúde no Brasil. Essa é uma parada dura.

Lelo Coimbra - Laerte as denuncias do governo mineiro a que se refere, não as conheço. Vemos vez em quando, denuncias diversas em cidades e estados que desqualificam a vida publica, nivelando-a por baixo. Mas um tema importante esta em que os municípios, sobrecarregados com o que lhes tem sido transferido de competências, desde 1988, aplicam entre 15 a 20% em media nas suas competências de saúde, eqto apenas 12 dos 27 estados e mesmo a União, não aplicam o correspondente ao previsto na emenda constitucional 29, interrompida pois tem sido usada exclusivamente para tentar a recriação da CPMF.
Outro tema importante que Laerte traz esta na proliferação de escolas medica. Temos uma concentração de médicos nos grandes espaços urbanos, num modelo hospital centrico, e ausência nas outras áreas, alem de que a atenção a saúde acaba se concentrando na ação medica. Conseguimos reter um pouco essa expansão, mas esse debate se torna cada vez mais relevante! Quando iniciei minha militância no M Estudantil, tínhamos com bandeiras as permanentes revisões de currículos, com a critica então a mercantilizacão da medicina, onde o aluno do 3a ano já era especialista de alguma área. Esse debate permanece hoje nas ações normativas e busca de construção de políticas publicas de saúde e de ensino. Na saúde, evoluímos na concepção de modelo, dentro de idéia de universalização, integralidade e publico, mas construímos alianças com os segmentos filantrópicos e privados, como parte do modelo. As indústrias de medicamentos e equipamentos estão presentes nesse nosso universo de ação e não iremos adiante sem convivência com essas formas de atenção.
Um fato, Laerte, não sabe se você da alguma valorização, esta na dimensão populacional e física do Brasil, vis-à-vis a de países pequenos. Qual o valor que você da ao acumulado brasileiro na saúde publica? Parabéns por tua presença no debate!
Cadê o Maia, ta em campanha? Diga que ele já esta eleito, será o Pres. da Câmara.

Fernanda Tardin - Lelo, o dever me faz vir com satisfação aqui falar ao grupo que você é apenas um relator e que o fato de se colocar num debate, demonstra que nossas inquietações e insatisfações também (talvez em menor grau) são compartilhadas principalmente por buscarmos todos uma resposta e solução para o fator Humano da questão.insistindo na necessidade de ajuntarmos a saúde que preveni e a que trata, para principalmente evitarmos mortandades em corredores lotados e doentes em filas de marcação de consulta em plena madrugada, pq. uma PL renega necessidades básicas ?

Laerte Henrique Fortes Braga - Perdão deputado, lembrei-me de um caso visto hoje cedo. Um transplantado de fígado, portador do vírus da hepatite C, em constante luta para viver, hoje  mostrou uma carga viral baixíssima a partir de medicamentos homeopáticos. Embora o setor tenha crescido e demais no País continua sendo visto com olhos tortos pelos grandes grupos. Estou citando o fato, pois médico desse paciente ao olhar os exames, simples, pediu a ele uma xérox da composição do medicamento.
Em Cuba isso é regra geral, está no documentário de Michael Moore. Sobre essa concentração concordo plenamente. E quanto a Minas meu caro deputado, se aparecer por aqui lhe mostro as provas, Maluf é aprendiz perto de Aécio e sua quadrilha (rs).

Dagmar Vulpi - Dep. desculpe-me caso o questionamento que agora registro já tenha sido respondido nas entrelinhas de tantas respostas. Os brasileiros que se dispõe a irem estudar em Cuba durante cinco anos e não terem seus diplomas reconhecidos por força de lei, aliás, muito bem esclarecidas pelo (compa), se estes cumprissem os três anos curriculares necessários para o reconhecimento brasileiro teriam os seus diplomas reconhecidos, na inspeção feita pela AMB e CFM ao curso ELAM?

Lelo Coimbra - Dagmar, os três anos excedentes se referem a necessidade determinada pelo governo Cubano, para os Cubanos exercerem a medicina em Cuba, Laerte também deu uma opinião sobre o assunto. Os brasileiros não têm essa opção, sua formação dentro do protocolo acordado e o que debatemos.

Fernanda Tardin - Lelo, Dag, Laerte e demais Hermanos, acho que muito ainda vamos debater, mas a hora avança e o companheiro e amigo Lelo Coimbra tanto ou mais que nós se esgotou. Podemos deixar aberto o tópico para futuros comentários e perguntas. Dentro do possível acredito que teremos resposta. Acordam?

Fernanda Tardin - Lelo, encerramos por hoje, certos que o caminho não se finda. Agradecemos a oportunidade e deixamos o desejo de manter esta comunicação e debate. O POVO nas filas merecem.
Grande abraço e uma estrela ' tipo a do orkut'. (Rsrs rsrs) saudações ao (compa) Maia, não voto, mas manifesto meu desejo de ver um presidente da câmara eleito considerando uma mobilização de expressões populares. outra questão que por hoje não convém (rsrs) hasta la vista.

Laerte Henrique Fortes Braga - Deputado, a Fernanda encerrou, foi um ótimo debate, repito, principalmente por se debater, coisa raríssima em deputados, o que, repito o que escrevi acima, merece louvores e reconhecimento, seja pelo fato, pela hora, etc. No próximo, seria ótimo incluir a questão da saúde mental no Brasil. Os últimos relatórios da OMS apontam para o ano 2020 a depressão como segunda causa mortis em seguida às doenças cardiovasculares (que muitas vezes são disfunções provocadas por algo que tangencia a área, o velho stress, neuroses e pressões acima da média). A depressão não é necessariamente uma doença mental como a psicose, mas é preocupante. Nisto talvez a gente encontra resposta para essa questão que o senhor levantou. O confronto entre um País continental como o nosso e países geograficamente menores. Um abraço deputado, boa noite.

Dagmar Vulpi - Agradeço a presença de todos em nosso debate, agradeço especialmente o Dep. e companheiro Lelo Coimbra por nos ter dado a honra de sua presença e a gentileza de suas repostas.

Lelo Coimbra - Dagmar, Nanda e Laerte Aos amigos, valeu por hora. Nos cobrearemos a qualquer tempo!
Um fraterno abraço!

Nenhum comentário:

Postar um comentário