segunda-feira, 25 de julho de 2011

O que falar da atuação de Jarbas Passarinho?

SE O RECONHECIMENTO NA JUSTIÇA DE USTRA COMO TORTURADOR É UM PASSO ...
O que falar da atuação de Jarbas Passarinho?
O ministro da Educação e Cultura, Jarbas Passarinho,
junto ao Diretor Geral do Departamento de Assuntos
Culturais e D. Pedro Gastão, em sua visita em março
de 1972
Aliás, estive dando uma olhada na biografia dos que pertenceram ora ao regime, ora a uma "oposição" ao regime militar, mas que de "alguma forma" conseguiram fazer um jogo pelo qual aparentemente ficaram em "cima do muro". Afinal, era preciso navegar naquele mar de lama.

No caso de Passarinho, como de muitos outros, fazia parte do governo e pulava de galho em galho na mesma arvore fazendo as vontades do regime e depois passou a fazer parte dos governos após o final da ditadura.

O mais interessante é que quando a situação apertava pro seu lado, se nao podiam negociar, simplesmente saiam pela esquerda, e regrassavam pela direita. Mas o caso do digníssimo foi distinto e emblemático. Foi nomeado ministro do Trabalho e Previdência Social no governo Costa e Silva. Em sua atuação, como ministro de estado, foi signatário do AI-5 em 1968. Foi Ministro da Educação de Médici. Foi nomeado ministro da Previdência Social pelo presidente João Figueiredo.

Sobreviveu a tudo, não se sabe como, mas claro que pelas chicanas politicas impostas pelos que estavam por tras da ditadura.

Por imposição dos ventos na politica vigente foi Ministro da Justiça no governo Fernando Collor, mas quando veio a crise do Impeachment, pediu demissão. Aquela saida pela esquerda, fingindo estar do lado do direito.

Aí está o jogo das conveniencias durante todo esse período. Ninguem era culpado de nada. E pergunta-se: aonde estava o compromisso com o social desse sujeito que foi Ministro de todos os ministerios mais importante durante TODA essa época de suposto desenvolvimento social? Isso quando não era senador ou deputado federal! Em fato, essa foi a época mais crítica da historia nacional nos ultimos 60 anos! Foi a época de formação e consolidação da nação moderna. Ocorre que a nação se tornou todo um oposto ao que vinha sendo feito durante Juscelino e Jango: uma nação não alinhada que mostrava instituições com carater próprio, independente. Mas o que temos hoje é esse escombro, esse alinhamento que suga os valores nacionais para o exterior. Basta uma pequena análise no que vem ocorrendo no setor financeiro e o que o BC tem sido obrigado a fazer. Vejamos tambem o Ministerio das Comunicações com essa falha absurda de Paulo Bernardo em favor das Teles e contra o PNBL . As pressões no Pre-sal, no agronegocio e na Amazonia.

Então pergunta-se: aonde estava toda aquela base moral na qual a suposta revolução foi fundamentada? Era essa porcaria de nação que não consegue encontrar o rumo sozinha, de miséria social e economica que estavam vislumbrando? Afinal de contas o script sugerido pelos grandes interesses, que a maioria dos militares brasileiros eram inquestionavelmente submissos, não foi seguido à risca desde o início?

Aí pois está a maravilha a ser desembaraçada, mas os apologistas da tortura, do desaparecimento de pessoas, do caos social, miséria economica e submissão ideologica não querem que desembarasse porque tem muita gente graúda lambusada até a medula.

Aonde está a moral disso tudo? Aonde está o espírito da leil naquela anistia que Baltazar Garzón tão claramente enunciou recentemente?

Coloque-se Jarbas Passarinho num tribunal de justiça e peça-se que ele explique a moral do que foi feito, e veremos se ele consegue eximir-se, e todos os seus, de culpa por torturas, assassinatos e desaparecimentos de dezenas e centenas de pessoas. De miséria social e repartição de bens nacionais a uma minoria dentro e fora do país como é até hoje por legado desse período desgraçado.
*Marcos Rebello é do Rio de Janeiro, Estudou na instituição de ensino Bahiense, mora em Boynton Beach.


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